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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

rock in roll

marcio ribeiro

Atualizado por Rubens Leme

David Robert Jones nasceu em Brixton, Inglaterra, no dia 8 de Janeiro de 1947. Ao ouvir Little Richard tocando "She's Got It" em 1956, ficou apaixonado por rock n' roll. Ganhou uma foto do seu ídolo, cantando e tocando o piano com uns saxofonistas no fundo. "Eu sabia que não podia ser Little Richard, mas pelo menos eu poderia ser um dos seus saxofonistas, pensei. Assim pedi a meu pai para emprestar dinheiro para comprar um sax. Foi assim que eu comecei."

Seu interesse por música floresceu definitivamente aos 13 anos com as aulas de saxofone. O próximo passo foi conseguir uma vaga tocando em uma banda. Algumas tinham nomes curiosos como George And The Dragons, Bo Street Runners, Kon-Rads ou The Hooker Brothers. Todas contavam com seu grande amigo George Underwood. No caso dos Kon-Rads, a formação incluía também a dupla de guitarras Neville Wills e Alan Dodds, o baterista Dave Cook, e um baixista cujo o nome ficou esquecido no tempo.

Outros nomes de bandas contem óbvias intenções de imitar formulas que deram sucesso em outra banda
Outros nomes de bandas contem óbvias intenções de imitar formulas que deram sucesso em outra banda. As bandas batizadas de The King Bees e The Manish Boys, são nomes derivados de títulos do repertório de Muddy Waters: "I'm A King Bee" e "Manish Boy", como fizeram os Rolling Stones dois anos antes.

As bandas dessa primeira fase de sua carreira, tocavam uma variação de blues e rhythm n' blues típicos da época, com um repertório que incluía entre outras canções, números como "Hoochie, Coochie Man" e "Got My Mojo Working". Ao ler uma serie de artigos sobre o John Bloom, um rico homem de negócios, Davie lhe escreve uma carta apontando para a magnífica oportunidade dele poder promover uma banda talentosa em ascendência. Admirando a ousadia, Bloom respondeu sua carta oferecendo o nome e telefone de um empresário, Leslie Conn. Foi dessa maneira que Davie Jones & The King Bees, cuja a formação era com Roger Bluck na guitarra, Frank Howard no baixo, Bob Allen na bateria, além do George Underwood e o próprio Davie Jones tocando sax, conseguiram o contato com Leslie, que gostou do que ouviu. Inicialmente arrumou alguns shows em clubes como o Marquee, Café des Artistes e o Roundhouse, entre outros. Depois consegue para a banda um contrato com uma subsidiária da Decca, a Vocalion Records. Assim, em Junho de 1964 é lançado o compacto “Liza Jane”/ “Louie Louie Go Home”. Davie cantou e tocou seu saxofone em “Liza Jane”, um black gospel rearrangado por Conn e “Louie Louie Go Home”, regravação do repertório de Paul Revere & The Minutemen. Para promover o compacto, The King Bees tiveram seu debut televisivo no programa da BBC-TV, "Beat Room".

Nessa época Les Conn se associa a Dick James, dono da Northern Songs, empresa que cuida das músicas dos Beatles, mas este se interessou pouco por Davie ou outro protegido de Conn, Marc Bolan. O compacto não rendeu nenhum lucro e a banda pouco depois se dissolveu. O amigo George Underwood, passaria a trabalhar para Mickie Most com o nome artístico de Calvin James até que em 1972, voltaria a trabalhar com David, como desenhista gráfico para MainMan, firma que representaria David Bowie por metade da década de setenta.

Davie então é convidado a se juntar à banda Mannish Boys que também era empresariado por Conn. Logo outra sessão fora marcada, dessa vez para Parlophone, na qual se gravou a primeira canção escrita por Davie, "Take My Tip". Essa gravação oferece elementos mais jazzísticos do que o típico rhythm n' blues encontrada na sua banda anterior. O lado A, contem um cover do clássico de Bobby Bland, "I Pity The Fool". Para gravar a guitarra, foi contratado um sessionman mais experiente, por exigência da gravadora. Seu nome? Jimmy Page. O compacto é lançado em Março de 1965 enquanto a banda prossegue se apresentando como Davie Jones & The Mannish Boys.

Ao vivo, entre outras jogadas publicitaria, costumavam chegar nos shows de ambulância. Tocando no Marquee Club, Davie conhece e namora a futura cantora e atriz Dana Gillespie, então ainda com quatorze anos. A banda excursiona em conjunto com Gerry & The Pacemakers, The Kinks e Marianne Faithfull. Conseguem alguma atenção do publico ao se apresentar na BBC2-TV, no programa "Gadzooks". Mas isso se deve mais pelos cabelos extremamente compridos de Davie para época, quase nos ombros, do que pela música. Uma vez que o cabelo comprido fora introduzido pelos Beatles e reafirmados pelos Rolling Stones e Animals, se tornou uma forma de publicidade para a banda ter os cabelos mais compridos de todos.

Com intuito de atrair mais atenção para si e a banda, Davie coloca um artigo no jornal afirmando que ele fundara uma espécie de sociedade protetora dos cabeludos chamado “The International League for the Preservation of Animal Filament,” ou seja, A Liga Internacional Pela Preservação do Filamento Animal. O anuncio convocava os Beatles e os Stones entre outros a se afiliarem. Uma humorística jogada publicitária que serviu para esquentar as conversas durante o chá, hábito tão inglês, mas não fez muito para sua carreira. A banda volta a gravar na primeira parte de 1965 dois covers, “Hello Stranger”, de Barbara Lewis e “Love Is Strange”, de Mickey & Silvia, mas jamais foram lançados. The Mannish Boys então encerra suas atividades pouco depois.

Davie então se junta a banda The Lower Third em meados de 1965. The Lower Third é formado pelo guitarrista Denis Taylor, baixista Graham Rivens e o baterista Les Mighall que após a gravação do primeiro compacto foi substituído por Phil Lancaster. São essencialmente uma banda mod e que começaram em 1963 na região de Margate até se mudaram para Londres, em 1965. Colocam um anúncio à procura de um vocalista e assim Davie Jones entra na banda. Parlophone, que tinha um interesse maior em Davie Jones do que nos Manish Boys, logo enviam os rapazes para o estúdio e gravam o single “You've Got a Habit of Leaving”/ “Baby Loves That Way”, lançado em Agosto. Produzidos por Shel Talmy que também trabalhara com os Mannish Boys, Talmy era mais famoso por ser o mesmo produtor das duas bandas mod mais conhecidas do momento, The Kinks e The Who. O som no lado A, ficou muito parecido com o que Townshend estava fazendo no Who e no lado B, similar ao que os irmãos Ray e Dave Davies faziam nos Kinks. Mas essa "semelhança" se tornou bem mais perturbadora quando em certa ocasião, durante a checagem de som antes da apresentação do The Lower Third que abriria para o Who, Pete Townshend foi vê-los. Sem muitos rodeios ele se dirigiu a Davie Jones entrando direto no assunto que lhe interessava. "De quem é essa música que você tá cantando?" "É nossa" diria Davie se referindo a sua banda. "É o caralho!" O restante deste dialogo é irrelevante uma vez que se entenda que Pete Townshend diferente de Davie Jones, é um mod autêntico e precisou de algumas pessoas para intervir e evitar uma briga maior.

De fato, durante a carreira de David Bowie, originalidade não é exatamente o seu forte. Ele tem sim uma incrível capacidade de perceber, quer seja por intuição, os detalhes e tendências de real valor artístico mesmo quando a mídia ainda não tenha captado. É desta sua genialidade que ele tira o seu poder para se reinventar, geralmente levando-o para fazer algo novo. Para a direção do que está ainda por vir, enquanto ela ainda está acontecendo em escala menor. Bowie mesmo, na década de noventa, confessaria sobre o que chama de "um efeito esponja", capaz de absorver influências que acabam aparecendo no seu trabalho. Esta é uma das discutíveis habilidades deste grande mentor de várias tendências da década de setenta e oitenta. Em muitas maneiras David Bowie influenciaria a música pop como Andy Warhol foi influência na arte pop, recriando em cima do que já existe.

Davie Jones & The Lower Third gravaram "Can't Help Thinking About Me", "And I Say to Myself", "I'll Follow You" e "Glad I've Got Nobody", todas escritos por David, onde ele começa a compor canções um pouco mais pessoais. Mas antes que pudessem ser aproveitadas, a banda o dispensou.

Voltando um pouco no tempo, conta-se uma história em que, antes de completar 16 anos, David Jones teve uma briga na escola onde seu oponente, munido de um canivete, causou entre outras males, uma ferida no olho que fez com que este dilacerasse permanentemente. O tipo de canivete usado é popularmente conhecido como um bowie-knife e é daí onde David tira o seu pseudônimo. Mas a história real foi uma briga com seu amigo de longa data, George Underwood, por causa de uma garota. George acabou atingindo David, que precisou de três cirurgias para não perder a visão. Porém, sua pupila ficou estática, dando um ar estranho ao rosto do garoto. David, anos depois, “agradeceria” a George pelo ocorrido, explicando que os olhos diferentes deram um visual diferente em sua carreira. David tinha então 14 anos.

David estava cansado de ver seu nome ser escrito de tantas formas diferentes pela imprensa nas poucas vezes que ele e sua banda conseguiam alguma publicidade. Entre 1964 e 1965, já lhe chamaram pelo nome de David, Davy, Davey, Davie e até Daved. Também é certo que haviam outras duas pessoas gravando como Davy Jones na Inglaterra em 1965. Um era cantor de soul, um americano radicado em Londres e o outro era cantor em um musical chamado "Oliver" que fazia muito sucesso. Este mais tarde se tornaria o mundialmente famoso Davy Jones dos Monkees no ano de 1966. Sem falar em um certo David John que já teve material seu incluído como sendo dos King Bees por um equivocado artigo de um jornal.

Cansado dessas confusões, quando Davie Jones assina com a Pye Records em Dezembro de 1965, ele assume o nome de David Bowie. No processo, também muda de empresário, Kenneth Pitt, e de aparência, cortando os cabelos e escolhendo roupas mais sóbrias. Lança o compacto “Can't Help Thinking About Me”/ “And I Say To Myself” gravado ainda com o Lower Third sem creditá-los e este chega ao 34ª lugar das paradas de sucesso, tornando-se o primeiro compacto de David lançado nos Estados Unidos. Bowie segue agora o circuito habitual de clubes com seu "Bowie Showboat", acompanhado de sua nova banda batizada de Buzz. The Buzz foi montada a partir de um anuncio no Melody Makers colocado pelo seu empresário, solicitando músicos. São eles Dek Fearnley no baixo, John Hutchinson na guitarra, que depois seria substituído por Billy Gray de 16 anos, Derek Boyles no órgão e John Eager na bateria. Essa é a formação que se apresentou para o programa televisivo, "Ready Steady Go" em Março de 1966. Embora se apresentem ao vivo com Bowie até 1967, gravam somente um compacto, “Do Anything You Say”/ “Good Morning Girl”. No entanto, The Buzz seria preterido por músicos profissionais para o próximo lançamento da Pye, “I Dig Everything”/ “I'm Not Losing Sleep”.

Após três fracassos consecutivos, Bowie em 1967 muda não só de gravadora, a Deram Records, como de estilo, passando a compor e gravar canções mais teatrais muito ao estilo de Antony Newley (autor da canção "Goldfinger" para o filme do 007, entre muitos outros) abandonando um pouco o rock. Nas primeiras sessões, Bowie volta a utilizar os músicos do The Buzz para o compacto “Rubber Band”/ “The London Boys” como também na gravação de versões para "Please Mr. Gravedigger", "That's A Promise" e "Silly Boy Blue". Mas quando essas canções aparecem no seu primeiro LP, simplesmente intitulado de “David Bowie”, elas já haviam sido regravadas por músicos de estúdio. Ainda assim, Derek Fearnley, baixista do Buzz assiste ao álbum, assinando os arranjos.

O disco recebeu algumas boas palavras por parte da crítica mas teve um fraca vendagem. A Deram tinha um outro artista obscuro que conseguiu vender bem mais com seu compacto de estréia "Mathew & Son". Assim, Cat Stevens permanece na Deram enquanto David Bowie é dispensado. Bowie então desaparece por completo de cena e se hospeda em um mosteiro budista na Escócia permanecendo lá por algumas semanas. Desde o ano anterior, David falava abertamente sobre seu interesse em viajar e conhecer o Tibete e sobre o fascínio que a vida dos monges, vivendo entre as montanhas exerciam sobre ele. Assim, enquanto os Beatles e os Beach Boys descobriam a filosofia hindu, através do Maharishi Mahesh Yogi, David Bowie tira alguns meses de 1967 para viver uma vida de monge no mosteiro budista com os ensinamentos do seu mestre, o monge Chimi Youngdong Rimpoche.

Ao sair, junta-se a Lindsay Kemp para estudar mímica com seu grupo teatral. No grupo conhece Hermoine Fatheringale, menina com quem Bowie tem um relacionamento intenso embora curto. Encenam diversas mini-peças pela Europa como a chamada "Pierrot in Turquoise", apresentada em festivais gratuitos em Edimburgo e em Praga. Esta conta a história de Pierrot, o palhaço que trocou sua camisa por uma flor para entrega-la à sua amada Columbina. Ela porém preferiu o buque de flores oferecido por Arlequim. Com isso Pierrot troca sua flor por uma corda e se enforca. Além de representar, a trilha sonora das peças são compostas e cantadas por Bowie.

Em final de 1968, Bowie funda um misto de trio folk e grupo de mímica, na qual batizou de Feathers. O trio incluía Hermoine Fatheringale e o amigo John Hutchinson, ex-guitarrista do Buzz, os três nos vocais e violão. O grupo durou o tempo do namoro mas antes de terminarem, gravaram "Chin-A-Ling" e "Back To Where You've Never Been" que nunca foram lançados. Bowie trabalhou ainda em um projeto de um curta metragem que ele mesmo escreveu e a BBC recusou, em fevereiro de 1969, chamado “Love You Till Tuesday”, na qual "Sell Me A Coat" do seu álbum de estreia, foi remixado para incluir as vozes de Fatheringale e Hutchinson. Ele também regrava para o programa "When I Live My Dream", "Love You Till Tuesday" and "Let Me Sleep Beside You". Esse material seria finalmente disponível para o publico em 1984 graças as mãos de Kenneth Pitt, seu agora ex-empresário, que junto com o video, lançou uma coletânea homônima reunindo compactos desse período.

Ao se separar de Hermoine em 1969, David continuou um tempo apresentando folk como um duo mas logo desmantelou a pareceria. Trabalhou em um filme chamado "The Image" e depois consegue uma ponta em "The Virgin Soldier", filme que passeia entre a comédia e o drama. Tenta mas não consegue uma parte no musical "Hair" e monta um demo com sua última composição, "Space Oddity". Funda então The Beckenham Arts Lab, outro grupo teatral de multi-midia, porém com intuito de angariar fundos para a manutenção desse seu laboratório, assina um contrato com a gravadora Mercury a quem apresenta seu último demo. Sai então pela Phillips que tem contrato com a Mercury, o compacto “Space Oddity”/ “Wild Eyed Boy From Freecloud”, em Julho.

É no Beckenham Arts Lab que ele conhece Maria Angela Barnett em Abril de 1969. Angie, como passou a ser chamada, teve um papel importante nesta fase de sua carreira. Ela injetou confiança que lhe faltava, o que empurrou a sua convicção para este novo trabalho. O resultado foi um contrato para o disco, lançado em Novembro, chamado apenas “David Bowie”, que no mercado americano saiu com o nome “Man of Words, Man of Music”. O álbum passeia pelas influências artísticas que aconteciam em Londres nesta época. O disco abre com “Space Oddity”, compacto lançado meses antes. Uma interessante canção sobre o homem no espaço, tema muito em voga com Neil Armstrong prestes a andar na Lua. "A Letter To Hermoine" e "An Occasional Dream" são inspiradas em Hermoine, um relacionamento já extinto mas que voltaria a servir de musa em trabalhos futuros como em "She Shook Me Cold". Mais tarde seu álbum seria novamente rebatizado de “David Bowie - Space Oddity” pela RCA, em 1972. O compacto com a canção homônima, "carro-chefe" do disco, faz bastante sucesso no Reino Unido tornando o nome David Bowie, se não famoso, pelo menos conhecido. A boa aceitação desta canção também serve para demonstrar a Bowie que ele deve concentrar seus talentos em música.

Bowie passa a andar com o amigo Marc Bolan e começa a abrir alguns shows do Tyrannosaurus Rex com suas apresentações de mímica. Bowie casa com Angela Bowie em Março de 1970 e nasce Duncan Zowie Haywood Bowie, seu filho desta união. Lança no mesmo mês que seu casamento, o compacto “The Prettiest Star”/ “Conversation Piece”, já pela Mercury, tendo a participação de Marc Bolan na guitarra. Logo David está excursionando com Bolan, abrindo seus shows com sua banda recém formada chamada Hype. A formação inclui Tony Visconti no baixo, Mick Ronson na guitarra e John Cambridge na bateria. Todos fantasiados de um personagem previamente selecionado. Bowie era o Pirateman, Robson, o Gangsterman, Visconti, o Superman e Cambridge, o Cowboyman. Apesar da boa aceitação do publico, a banda logo se desfaz. A nota positiva é que a experiência serve para unir David Bowie a Mick Ronson. Imediatamente começam a trabalhar juntos no material para um novo álbum. Ronson convoca Woody Woodmansey, baterista de sua antiga banda Rats que assume o lugar de Cambridge enquanto Tony Visconti além do baixo, atua como produtor deste LP intitulado de "The Man Who Sold The World". Com este trabalho de rock pesado, algumas pessoas procuram apontar para a guitarra de Mick Ronson neste trabalho como o nascimento do Heavy Metal. Pena que o disco passa despercebido.

Para a capa, Bowie cria uma imagem assustadora para a estética masculina da época, pousando deitado em um divã usando um vestido longo com os cabelos novamente longos e soltos. A capa chega a ser censurada nos Estados Unidos substituído por um desenho com um sujeito de chapéu de cowboy e um rifle no estojo. Bowie procura chamar atenção para sua interpretação mais teatral e fala de suas concepções de como um show de rock deva ser. A falta de vendas do disco apressou a dispensa por parte da Mercury que a esta altura estava mais interessada em investir no seus novos astros, Rod Stewart e Elton John.

Em Abril de 1971, vai aos Estados Unidos com seu agente Tony De Fries, munido de uma fita demo com material do seu próximo disco. Com o intuito de ser conhecido neste mercado, faz algumas poucas apresentações e muitos contatos. Antes de sua estréia em solo americano, declara para a imprensa americana: "Eu recuso a me ver como medíocre. Para ser medíocre largo a profissão. Já existe mediocridade suficiente no ramo. (...) Minhas apresentações terão que ser uma experiência teatral para mim tanto quanto para o público. Caso alguém considere essas coisas como jogadas publicitárias ou distrações que obscurecem a verdadeira mensagem musical, então não venham aos meus concertos".

Bowie e De Fries estreitam contatos com algumas gravadoras. Quando parecia que a United Artists iria fechar negócio, a RCA pula na frente oferecendo uma proposta irecusável para um artista ainda por se firmar. É bom lembrar que a RCA nesta época ainda vivia, no que se refere ao rock, salvo exceções, dos discos do Elvis Presley e queria muito mudar esta imagem para uma mais moderna. Seu representante Dennis Katz, em menos de um ano, contrata The Kinks, Lou Reed e queria de qualquer mandeira este artista que gostava de usar vestidos. A visão empresarial é de que o choque seria uma tática benéfica para a imagem "moderna" que Katz queria para a gravadora. Isso por si só pagaria em publicidade o investimento na carreira de David Bowie. De Fries embora tivesse outras opções, entendeu o momento da RCA como sendo de uma gravadora que não interferiria com a conduta que seu artista queria seguir e o contrato foi assinado.

Em Los Angeles, Bowie fez questão de querer conhecer um artista na qual ele ouvira muitas histórias de loucuras mas que não conhecia realmente direito. Então foi organizado pela MainMan, firma da qual Bowie se associou junto com De Fries no ano anterior, um almoço de negócios em que estaria presente ele, o único artista que Bowie pessoalmente solicitou conhecer, Iggy Pop. Mantendo a fama de indisciplinado e displicente, Iggy não apareceu na hora marcada, chegando muito tempo depois. Sentou-se nervosamente e foi logo explicando que não poderia ficar muito pois tinha que dar continuidade no seu tratamento de metadona, droga injetável utilizado para amenizar e possivelmente curar viciados em morfina ou heroina. Da mesma maneira que chegou, Iggy partiu e Bowie simplesmente ficou encantado. A honestidade nua e crua, a suas expressões no estilo "direto ao ponto", somados ao respeito a sua música que Bowie conhece através dos dois discos dos Stooges, o conquistaram por completo.

A RCA lança então seu disco Hunky Dory, um álbum mais acústico que conta com a participação de Rick Wakeman nos teclados. O carro-chefe "Changes" consegue uma certa divulgação dentro dos Estados Unidos e no Reino Unido. Sua insatisfação com a carreira porem obriga-o a criar outra metamorfose. Com a assistência do estilista Kansai Yamamoto que cria todas as roupas de seu novo personagem, e de uma cabeleireira amiga, que cria o tom exclusivo de vermelho-cenoura para o seus cachos loiros, Bowie encontra seu novo visual. Busca no peso encontrado no seu álbum "The Man Who Sold The World" para o som do seu próximo álbum. Com a saída de Tony Visconti, ocupado demais trabalhando com T. Rex, convida o baixista Trevor Bolder, a quem conheceu através de Ronson, para a vaga.

Mas a alma desta nova criação de Bowie fica por conta das influências de um cruzamento entre o glitter de Marc Bolan com a atitude agressiva e suicida de Iggy Pop, mais uma pitada de Vince Taylor, um dos primeiros roqueiros inglês da era pré-Beatles de 1958. Durante a década de sessenta, Vince Taylor se mudou para França onde teve ainda mais sucesso até se auto intitular de ‘Jesus Cristo na terra’ em pleno palco, o que o levou a quase ser linchado. Como próximo passo, David Bowie divulga ser bissexual para a “Meldoy Maker”, uma tática para chamar atenção para si, como também para o disco e excursão que seriam lançados. Como o termo era ainda desconhecido para muitos, David foi obrigado a ter que explicar especificamente o seu significado. O choque incendeia a imprensa. Rock and roll perde definitivamente a sua inocência. Nasce o alienígena andrógino pop star, Ziggy Stardust e sua banda The Spiders From Mars.

O LP, com seu título pretensioso, “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars”, é até hoje tido como obra-prima roqueira do artista, que é a partir deste momento tratado como mega estrela pela mesma imprensa que o ignorara um ano antes. Com uma excursão européia na primavera e americana no outono, as apresentações chocam em concepção e modernidade, com diversas trocas de roupa durante o espetáculo, hoje relativamente comum mas até então, nunca visto em um "simples show de rock". Com ares futuristas, levemente baseados no filme recém lançado Laranja Mecânica, maquiagem, luz e todos os elementos do teatro são incorporado no show, na banda e na música. Nunca o rock teve um elemento de dramaturgia teatral tão presente e imbuído no contexto das apresentações. E o mais importante, Bowie enquanto "performer" convence. Seus movimentos são estudados e coordenados, reforçados pela suas experiências com mímica, diferente de pulos e danças aleatórias que se via entre o seus iguais. Um detalhe importante sobre Ziggy: o conceito do disco e do personagem já existiam desde 1971, mas o cantor foi convencido pela RCA a lançar “Hunky Dory” antes, guardando Ziggy para um futuro próximo.

Entre 1972 e 1973, David Bowie excursiona Europa e Estados Unidos duas vezes além de uma passagem pelo Japão. Produz durante o verão de 72 o disco de Lou Reed, "Transformer", convence os Stooges a continuar suas atividades, sugerindo a RCA a contratação de Iggy Pop e sua banda e produz o novo LP do grupo, "Raw Power". Quando soube que a banda Mott The Hoople iria se desfazer em função dos sucessivos fracassos na tentativa de se conseguir um hit, Bowie se oferece para produzir o seu próximo álbum. Ele também oferece "All The Young Dudes" canção que se tornaria o primeiro hit do Mott, chegando a terceiro posto no Reino Unido e acaba por torna-se hino homossexual glitter da década de setenta

Bowie depois grava e lança seu próprio disco, "Aladdin Sane" em Abril de 1973, um título que é na verdade um trocadilho com a frase ‘A lad insane’, um rapaz insano e com ‘A Land Insane’, que segundo Bowie “era a imagem que a América passava aos seus olhos”. O álbum é um espécie de resumo das impressões de Bowie durante sua primeira excursão americana, fortemente inspirado pelo livro "Vile Bodies" de Evelyn Waugh. No lugar dos teclados de Rick Wakeman, Bowie contrato o americano Mike Garson que no piano, cria climas extraordinários neste disco e em especial, nesta canção título. Igualmente em “Time”, onde Garson conta que resolveu dar um toque renascentista após ouvir a interpretação de David durante os primeiros ensaios. Em seguida, Bowie lança um álbum de covers chamado “Pin Ups”, em homenagem aos artistas britânicos dos anos 60 que o marcaram, antes de uma apresentação final da turnê de Ziggy Stardust.

No dia 3 de Julho, no Hammersmith Odeon em Londres, David anuncia para todos, depois da última música, que nunca mais se apresentaria novamente. Este show é registrada em um filme que só chegaria ao mercado em 1982. O show teve duração de duas horas e o filme, inicialmente de 110 minutos acabou saindo com apenas 90 minutos, com o corte de “Jean Genie” que incluía a participação de Jeff Beck, já que o guitarrista ficou insatisfeito com sua participação e pediu que a música fosse retirada, amigavelmente atendido por Bowie.

Quanto à aposentadoria precoce, é claro que Bowie se referia ao personagem Ziggy Stardust. Sem terem recebido um aviso prévio, Bolder e Woodmansey pensaram que Bowie estivesse brincando, não acreditando e foram dispensados. Mick Ronson segue uma curta carreira solo ainda como artista da MainMan antes de se juntar no final de 1974 a Mott The Hoople e Bowie passa a trabalhar em seu próximo espetáculo, uma adaptação musical para o livro ‘1984’ de George Orwell. Porém como ele não consegue os direitos autorais, já que a viúva do escritor alega que não queria um “depravado” usando o livro mais famoso de seu ex-marido, transforma tudo em material do seu próximo disco, “Diamond Dogs” lançado em 1974.

Cada vez mais interessado musicalmente em soul americano, muda novamente seu visual e excursiona os Estados Unidos vestido em um terno de cor sóbria e cabelos curtos. Essa excursão é considerado até então, seu trabalho mais caro pois pela primeira vez, todo o palco é planejado e seu desenho e estruturas são levados de cidade em cidade de caminhão e é também a primeira vez que é utilizado um guindaste em espetáculo de rock, prática que depois seria normalmente adotada. Tal audácia custou cerca de $200.000, uma soma absurda para produção e por causa dos custos a excursão nunca chegou a Inglaterra. Bowie contrata Carlos Alomar para organizar a parte musical e tira da sua apresentação em Filadélfia, material para o seu primeiro álbum ao vivo, “David Live”. A mudança espanta seu público como também a imprensa e sua fama de camaleão começa a se espalhar.

Mas durante a extravâgancia do personagem Ziggy, sua vida amorosa foi bastante agitada. Bissexual declarado, casado com outra bissexual, sua relação com Angie foi progressivamente perdendo interesse para o seu sucesso profissional. Neste período, Bowie mantinha uma estável relação triplice com Amanda Lear, musa de Salvador Dali; Cherry Vanilla, uma ex-groupie e atriz de filmes do Warhol que se tornou seu relações públicas; e Ava Cherry, uma cantora negra; além de sua esposa Angela Bowie. Angela só se incomodou com a inclusão de Ava Cherry, com quem seu santo não cruzava e acabaria causando o fim do casamento dela com o marido. Outras relações ocasionais e paralelas conhecidas ou especuladas incluem Romy Haag, modelo alemã; Oona Chaplin, esposa de Charlie Chaplin; e Elizabeth Taylor, esposa de Richard Burton. Controvérsias sobre seu relacionamento com Lou Reed em plena fase “Transformer”, Mick Jagger e Nureyev também existem.

Apesar de todo o sucesso, Bowie descobre que está arruinado financeiramente, por culpa de seu empresário. Para manter os absurdos custos de produção e conforto durante a excursão, De Fries usa dinheiro adiantado que conseguira da RCA para sanar estes custos, sem avisar o cantor. Para piorar, De Fries conta que David e ele não eram sócios da MainMan, sendo a empresa apenas de DeFries e David apenas um artista a mais. É nesta época também que Bowie começa a fazer uma dieta “branca”, já que só tomava leite e fazia um uso cada vez maior de cocaína. Acaba rompendo com a produtora e com Angela. Contrata uma assistente particular chamada Corinne Schwab, uma poliglota que foi criada na Índia, Haiti e México. Juntos passam a morar no Estados Unidos pelos próximos dois anos. Além de cocaína, Bowie também passa a se interessar pelas obras literárias de William Burroughs e Christopher Isherwood.

Bowie continua em Filadélfia se cercando dos melhores músicos disponíveis e grava o Lp Young Americans, uma ode a música soul americana. A canção "Fame" é uma pareceria inesperada entre ele, Carlos Alomar e John Lennon. Conta a historia que Lennon no estúdio, para a gravação de sua "Across The Universe", puxou o riff que ficou característico da canção nova, soltando em seguida um agudo "fame!" (fama). Em cima deste momento de inspiração começaram a compor a canção com a assistência de Alomar. A letra é praticamente toda do Bowie e o resultado final é gravado no mesmo dia. A canção coroa Bowie com seu primeiro No.1 na terra do Tio Sam enquanto "Young Americans" faixa título, leva Bowie a uma apresentação no programa de TV americano Soul Train, convite raro para um artista branco.

Bowie em meio ao seu sucesso americano, viaja para Novo México assumir o papel principal do novo filme de Nicolas Roeg, "The Man Who Fell To Earth". A película conta a historia de um alienígena que chega na Terra para comprar água, coisa escassa no seu planeta porém abundante neste. Mas apesar de seus conhecimentos avançados, ele tem problemas para se adaptar. Criticas favoráveis estabelecem novamente David Bowie como um talento raro que consegue dominar diversas formas de arte, todas com brilhantismo.

Em Los Angeles, onde passa a morar, Bowie grava e lança "Station To Station" onde ele leva sua interpretação de soul para um mundo mais avante-garde e eletronicamente inspirado. O disco contem impressionantes interpretações como em "Wild Is The Wind" e a própria "Station To Staion" e hits como "Golden Years" e "TVC-15". O álbum também inaugura um novo personagem que Bowie assume. Depois de três longos anos e diversas tentativas, Bowie finalmente consegue exorcizar Ziggy Stardust totalmente de sua persona com o “Thin White Duke”, um sujeito mais cool, distante e alinhado, que no entanto provoca um grande polêmica quando chega em Londres, em uma estação de trem. Perante ao público, David, de forma irônica, faz uma saudação nazista, causando um escândalo imenso. Bowie nega qualquer involvimento com nazismo e afirma que ele apenas saudou a população normalmente, no entanto um fotografo, captou o momento em certo angulo que fez sua saudação se parecer como algo nazista. A polemica manteve seu nome nos jornais enquanto David se preparava para excursionar Estados Unidos e Europa no que chamou de "The White Light Tour" com interpretações levemente inspiradas em Bertolt Brecht.

Conforme seu envolvimento com cocaína, seu egocentrismo aumenta e criticas surgem. Preocupado em mudar seu ambiente para que essa mudança reflita em sua música, Bowie após deixar os Estados Unidos, passa um curto período em Londres, antes de seguir desta vez para Berlim. Morando em um apartamento modesto na area de Schoneberg, bairro turco da cidade, em cima de uma oficina mecânica, Bowie volta a viver uma vida mais simples, fazendo ele mesmo suas compras e sua comida. É aqui que Bowie deixa seus tempos de cocaína para trás, passa a esquiar, estudar arte e pintar. Se envolve com música eletrônica alemã a ponto de influenciar por completo seus próximos álbuns, gravados com a ajuda de Brian Eno. São eles primeiramente “Low” e posteriormente "Heroes". Ambos, em retrospectiva, serão considerados por muitos, altamente influentes para a geração pós punk e o movimento dark da década de 80.

Sobre suas influências, Bowie define assim a cidade, "Berlim é uma cidade curiosa que contribui para que você escreva somente sobre o que é importante. Todo o resto você sequer menciona. O resultado é Low." As gravações desses discos foram marcadas pela velocidade e simplicidade em que foram feitos. Todas as bases de "Heroes" por exemplo, foram concluídas em pouco mais do que dois dias. Todas as faixas no álbum são do primeiro take. Houveram segundo takes mas todos foram aquém e dispensados. Robert Fripp quando entrou no projeto, chegou direto do aeroporto vindo de Nova York, para o estúdio. Enquanto montava seu setup ia ouvindo as bases. Em uma sessão de seis horas ele fez tudo que aparece nos álbuns e foi embora. Tudo de primeira. Carlos Alomar também merece menção honrosa pela capacidade de bolar as melodias engenhosas com a mesma velocidade com que Bowie definia suas idéias para a banda.

Depois que toda parte musical fora gravada, Bowie começou a escrever as letras para então gravá-las, sendo exceção a "Sons Of The Silent Age". A letra de "Heroes" Bowie contaria depois, saiu de uma observação feita durante as sessões de gravação. "No estúdio havia um janela que dava para o Muro. Debaixo de uma das guaritas onde havia sempre um soldado, ficava um banco público. Todos os dias por volta da mesma hora, um homem e uma mulher, vindo de lados opostos se encontrariam no banco e namoravam. Eram amantes, sem duvida." Ao assistir aquele namoro travado de baixo de uma guarita militar, ao lado de um dos maiores símbolos de repressão de nossa era, Bowie se inspira à criar a letra de uma das suas canções mais populares deste período.

Entre o lançamento de um disco para o outro, ainda em Berlim, Bowie se envolve novamente com Iggy Pop produzindo seus dois álbuns "The Idiot" e "Lust For Life", trazendo a carreira de seu amigo de volta a um lugar de destaque. Bowie seguiu o restante do ano excursionando com Iggy como seu tecladista, só voltando a cuidar de sua própria carreira no ano seguinte. Neste período Bowie também consegue superar seu pavor de voar passando a viajar de avião ao invés de trem.

Antes do ano terminar, Bowie teve sua segunda oportunidade como estrela de cinema ao lado de Sydne Rome, Kim Novak e Marlene Dietrich no filme "Just A Gigolo". O filme conta a historia de um aristocrata prussiano durante a fase de desemprego na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. Decadente, se vira graças ao seus dotes com mulheres e homens para novamente subir socialmente. Em 1978, Bowie volta a fazer uma excursão mundial cujo o resultado aparece no excelente álbum duplo Stage.

Bowie encerra a década de setenta novamente ao lado de Brian Eno para mais uma parceria, desta vez gravando em Berlim, Nova York e Suíça. Lodger, lançado em Maio de 1979, fecha uma trilogia com Eno e inaugura os vídeos musicais de sua carreira, todos seriam explorado através de uma nova mídia, a MTV. Em Lodger, além de Brian Eno, e pela primeira vez, trabalha com Adrian Belew e Reeves Gabriel a quem redescobriria como músico e com ele fundaria The Tin Machine na década de noventa. A parceria de Eno foi fundamental a carreira de Bowie, no entanto Eno não é o produtor dos discos de sua fase alemã, como muitas vezes é dito. Tony Visconti foi o responsável pela produção de todos estes álbuns.

Em 1980, Bowie encerra uma fase e inicia outra. Na esfera pessoal ele se divorcia oficialmente de Angela Bowie. Ele muda o nome do seu filho de Zowie para Joey, tendo retomado o relacionamento com ele, no ano de 1977, ainda morando em Berlim. A chegada do seu filho na sua vida, que tinha sido até então afastado pela demanda do estrelato e a responsabilidade assumida por David por cria-lo, dá ao artista uma forte base para querer definitivamente se limpar das "impurezas" da década anterior. Com o movimento neonazista que ressurgia, Bowie preocupado com o ambiente pesado que se instalou e seus efeitos sobre Joey muda-se para Nova York.

No plano profissional, ele fecha a década com outro grande álbum, "Scary Monsters (And Super Creeps)" conseguindo manter muito do clima explorado em seus últimos três álbuns com Eno porém em um formato mais acessível para rádio e televisão. O disco além de contar com Robert Fripp, Carlos Alomar e Tony Visconi, tem a participação de Pete Townshend na música "It's No Game". Aparentemente, já passados quinze anos, as diferenças entre os dois foram esquecidos. Muito se falou de "Fashion" uma canção que comenta sobre fascismo e paixão, enquanto observa a velada militança da juventude classe média européia. Os vídeos de "Fashion" e "Ashes To Ashes" são marcados como padrão a ser seguido.

Bowie então dá uma guinada na sua carreira e foge novamente do mundo do rock. Estreia na Broadway, Mecca do teatro, a peça "O Homem Elefante", onde a critica o considera excelente. Ele impressiona por convencer no seu papel de um homem com elefantíase, sem o uso de maquiagem, só na força de sua expressão corporal. Grava uma parceria com Freddie Mercury para o Queen em 1981 chamado “Under Pressure” e depois participa com banda, no filme “Christina F Wir Kinder” (Christina F, Drogada e Prostituída) onde a personagem principal vai a um show do Bowie com os amigos. Tanto o filme como a trilha sonora são lançados em 1982. Muda-se com o filho para Suíça e em 1982 sai “The Hunger” (“Fome de Viver”) de Tony Scott, um filme sobre vampirismo onde Bowie contracena com Catherine Deneuve e Susan Sarandon. A trilha sonora do filme inclui Bauhaus, que também aparecem na abertura. Durante as filmagens, Bowie tem um rápido caso com a Susan Sarandon.

Ele então representa para BBC-TV a peça "Baal" de Bertolt Brecht da qual ele também grava um álbum com a trilha sonora. Novamente, a critica o reverência. RCA coloca no mercado o filme/vídeo do último show de Ziggy chamado apropriadamente “Ziggy Stardust And The Spiders From Mars Live”, como também o álbum duplo com sua trilha sonora. Bowie ainda no ano, compõem outra dupla com Giorgio Moroder cantando "Cat People Theme (Putting Out Fire)" para a trilha da refilmagem de "Cat People" feita por Paul Schrader. Antes que este particularmente produtivo ano termine, Bowie volta ao Oriente, em uma ilha do Pacífico Sul, para filmar “Happy Christmas Mr. Lawrence” (no Brasil, “Furyo, Em Nome da Hora”) primeiro filme em inglês do cineasta japonês, Nagisa Oshima. No filme, seu personagem tira força para enfrentar a tirania do seus carcereiros, da culpa que sente em relação a ter abandonado seu irmão menor a sua própria sorte. Bowie considera o filme, um pequeno naco de sua vida, já que seu meio-irmão Terry, que David tinha como inspiração nos anos 60, vivia em um sanatório. Terry se suicidaria no dia 16 de janeiro de 1985, em Cane Hill.

Contam que Bowie levou com ele para a ilha apenas algumas fitas cassette de gente como James Brown, Albert King, Johnny Otis, Buddy Guy e mais algumas bandas de R&B do seu tempo de adolescência. Isso pode explicar o clima dançante do seu próximo disco. Em 1983 Bowie assina contrato com a EMI, sua nova gravadora e em seguida contrata o baixista da banda Chic, Nile Rodgers para produzir seu novo disco. O álbum "Let's Dance", gravado e mixado no tempo recorde de três semanas, se torna um sucesso estrondoso. A banda montada por Rogers é um misto de novos e veteranos músicos de estúdio. Omar Hakim, baterista do Weather Report está na maior parte do projeto, mas deixa Tony Thompson, baterista do Chic tocar em três canções. Carmine Rojas, baixista de Propaganda, banda que acompanha Nona Hendryx, deixa vaga só em uma faixa para Bernard Edwards, outro membro do Chic participar. Sammy Figueroa e Rob Sabino, ambos do Chic, cuidam da percussão e teclados respectivamente. Completando a receita, os naipes ficam por conta dos Asbury Jukes. Para a guitarra porem, é David Bowie quem convida um ainda desconhecido Steve Ray Vaughn. A canção título, assim como a "Modern Love" e "China Girl" tocam seguidamente nos quatro cantos do mundo. No vídeo de "China Girl", contracena com Bowie sua então namorada, a modelo chinesa Jee Ling. Bowie então inicia uma excursão mundial, o "Serious Moonlight Tour", tocando apenas em estádios, todos com a capacidade máxima lotada, o que ainda lhe rende um vídeo e a marca de ser o artista que mais lucrou financeiramente no ano.
Bowie segue o restante da década em um período menos criativo. Seu disco "Tonight" embora tenha vendido relativamente bem, é uma decepção aos ouvidos da critica. Em 1985, ele regrava ao lado de Mick Jagger, "Dancing In The Streest" como parte de uma pacote de doações para o projeto chamado Live Aid Concert que conta ainda com sua participação ao vivo. Apesar de Mick Jagger também participar do concerto, os dois amigos somente cantariam juntos ao vivo em Julho de 1986 no Wembley Stadium para o Prince's Trust Concert.

Bowie participa de filmes como "Into the Night", em 1985, "Absolute Beginners" e "Labyrinth" em 1986, todos relativamente fracos em vendagem. Em “Absolute Beginners”, Bowie surpreende em um numero inesquecível de sapateado. Uma curiosidade é saber que ele tomava aulas de sapateado, aprendendo a coreografia da sua cena, enquanto fazia as filmagens de “Labyrinth”. A critica o congratula pelo seu senso para comédia, área em que ele ainda não havia experimentado. “Labyrinth” segue em uma linha mais leve e também engraçada com Bowie contracenando com os bonecos inventados por Jim Henson, chamados muppets. As trilha sonoras destes filmes trouxeram alguns hits como "Absolute Beginners" e "Underground".

De volta ao estúdio, trabalha também como produtor de mais um disco do seu amigo Iggy Pop, o LP "Blah Blah Blah" gravado na Suiça. Lá, esquiavam durante o dia e escreviam material à noite. Depois desceram até Montreux para gravar. O esquema funcionou tão bem e foi tão agradável que Bowie resolveu ficar por mais um tempo e preparou e gravou material para o seu disco, "Never Let Me Down". Quando perguntaram Bowie porque ele sempre regrava material de Iggy Pop, ele responde de imediato "Algumas pessoas gostam de gravar Chuck Berry ou Elvis. Eu gosto de gravar Iggy Pop! Para mim, ele é o meu compositor contemporâneo favorito e um dos melhores ainda vivo. Embora ele já é bem mais conhecido, ainda considero-o terrivelmente mal cotado pela industria".

O disco "Never Let Me Down" oferece os talentos de Carlos Alomar e Peter Frampton nas guitarras, Carmine Rojas no baixo e Erdal Kizilcay em praticamente todo o resto, ou seja, teclados, bateria, violino e trumpete. Apesar de ser considerado um trabalho fraco e aquém pela a critica e público, Bowie levou o "Glass Spider Tour" para EUA, Europa e Japão com praticamente a mesma banda do disco, incluindo Frampton com mais Alan Childs na bateria e Richard Cottle nos teclados.

Uma vez terminada a excursão, Bowie imediatamente voltou para o estúdio com uma nova banda, Tin Machine. Com ele, gravaram os irmãos Tony e Hunt Sales, filhos do famoso comediante americano Soupy Sales. Respectivamente baixo e bateria, eles trabalharam anteriormente com Bowie quando eram da banda do Iggy Pop em 1977. Com Iggy, gravaram "Kill City" e "Lust For Life" além de excursionarem a maior parte do ano, tendo Bowie como tecladista. Bowie reencontrou Tony durante a última excursão e falou empolgado sobre um guitarrista com quem ele queria formar uma banda e estendeu o convite aos irmãos Sales. Junto com essa poderosa cozinha veio o guitarrista Reeves Gabrels, pouco conhecido, mas que já havia trabalhado com Bowie no álbum Lodgers em 1979. Agora, dez anos depois, faz o importante papel de guitarrista principal da nova banda de um astro multi-facetado. Mas diferente das demais bandas na carreira do Bowie, essa é uma banda idonia. O lucro é divido entre os quatro e cada um responde pela suas despesas.

Para o disco, Bowie contrata Kevin Armstrong (ex-Aztec Camera) para guitarra rítmica e Tim Palmer como produtor, levando todo mundo para Suíça e gravando o álbum lá. Em algumas semanas a banda gravou mais de trinta canções escolhendo uma delas como nome da banda. Quando o álbum sai em Maio, percebe-se claramente que Bowie estava realmente se afastando do tipo de música que marcou sua carreira na última década, apresentando um som com muita guitarra, dissonâncias e feedbacks, que lembra para muitos, um cruzamento entre Sonic Youth e Pixies. A banda estreia ao vivo em Junho e passa parte de 1989 tocando em pequenos clubes pela Europa, fugindo de estádios como que procurando primeiro uma identidade própria. No final de Junho, o primeiro compacto é lançado, “Under The God”/ “Sacrifice Yourself” , esta ultima não incluída no álbum, é lançado mas só chega a No. 51.

Ainda em 1989, ele remasteriza todo o seu catálogo pela RCA e lança tudo em CD pela Rykodisc. Antes do lançamento porém, segue com Tin Machine para Austrália onde escrevem e gravam vinte e cinco músicas para o futuro álbum da banda. Em seguida, excursiona e promove o show e coletânea "Sound + Vision" da qual Bowie garantia que, após esta excursão, ele aposentaria de vez todo material antigo do seu repertório, nunca mais tocando músicas como Ziggy Stardust ou Space Oddity ao vivo novamente. Sua banda incluía, Erdal Kizilcay no baixo, Adrian Belew, na guitarra, e dois membros originalmente da banda de Belew, Rick Fox nos teclados e Michael Hodges na bateria. A excursão foi um sucesso, correndo o mundo, inclusive o Brasil. Em boa parte das cidades os fãs podiam escolher o repertório da noite através de uma votação feita via telefone.

Com a "Sound + Vision Tour" durando o ano 1990, só em 1991 sua outra banda lança o segundo disco, Tin Machine II. Salvo a polêmica capa com uma foto de quatro estatuetas gregas masculinas nuas, que acabaram devidamente censuradas nos Estados Unidos, o disco foi totalmente ignorado. Voltam a fazer alguns shows no Reino Unido durante o Outono. Para divulgação, uma apresentação na BBC-TV1, no programa Paramount City, onde Gabrels usa um vibrador na guitarra e leva os técnicos da emissora a loucura tentando esconder o utensílio com ângulos alternativos de câmara. A banda ainda lançaria um álbum ao vivo sem o Bowie que teve pouquíssima divulgação. Bowie diria que sua experiência com Tin Machine lhe serviu para direcionar a sua carreira de volta ao experimentalismo.

Durante o exílio da qual ele se submete em Berlim, no final da década de setenta, ele abandona sua bissexsualidade e androginia em geral. David Bowie passa a ter sua vida amorosa bem mais regida por uma conduta heterossexual a partir da década de oitenta. Abandona seus excessos com bebidas, sexo e drogas e investe no relacionamento com seu filho. Em meados da década fica noivo por dois anos com a modelo Melissa Hurley mas após um período novamente solteiro, em Outubro de 1990, Bowie encontraria o amor de sua vida. Ao conhecer uma modelo nascida na Somalia, Iman Abul Majid, ele imediatamente se apaixona. Namoraram durante o ano de 1991 e casam em Abril de 1992, permanecendo casados até a presente data.

Com sua vida amorosa em dia, Bowie, feliz como nunca, volta ao estúdio pensando na sua carreira solo. Novamente ao lado do talentoso produtor Nile Rodgers, David grava o disco "Black Tie White Noise". Bowie novamente tenta ser pioneiro oferecendo um dos primeiros CD/CD-R's da industria, em 1994 através de uma subsidiaria da RCA chamada Savage que pouco depois faliu, levando o disco a sumir das lojas. O disco marca a volta de Bowie como saxofonista, instrumento que marcara o inicio de sua carreira. O disco oferece diversos convidados, inclusive a volta da dupla Bowie e Ronson que regravam "I Feel Free" do Cream. Mick Ronson viria a falecer pouco depois, de câncer no fígado aos 45 anos. Outros músicos convidados são Wild T, guitarrista de Trinidad, regravando "I Know It's Gonna Happen Someday" de Morrisey, Mike Garson, outro membro do Spider From Mars, Lester Bowie, trumpetista que David Bowie define como um sujeito que tem um herança bem Miles de tocar. Nile Rodgers aproveita e toca guitarra rítmica, Sterling Campbell na bateria, Barry Campbell no baixo, Phillip Saisse nos teclados e Richard Hilton no sintetizador. David termina o ano falando em voltar a gravar com Tin Machine.

Ao invés disso, em 1995 participa do disco solo de Reeves Gabrels, ainda seu guitarrista, para depois gravar a trilha sonora "The Buddha of Suburbia" com várias faixas instrumentais. No ano seguinte, em Nova York, filma "Basquiat", a historia de Jean Michel Basquiat, um grafiteiro antisocial das ruas de Nova York "descoberto" pela elite artística da cidade, graças a Andy Warhol que vê no rapaz um talento autêntico. Bowie faz incrivelmente bem o seu papel de Andy Warhol, um amigo antigo, já falecido.

Se associa novamente com Brian Eno para o primeiro disco que eleva novamente o nível de sua carreira, segundo a critica. Com o CD "1.Outside", lançado em Setembro, temos uma pretensiosa mini peça que se apresenta como uma espécie de diário, tentando captar a atmosfera desses últimos cinco anos de milênio. O diário é de um detetive tentando encontrar um serial killer. O primeiro álbum conceitual dele em mais de quinze anos. Bowie também inaugura seu primeiro web site oficial davidbowie.com.

Ele então se aventura a excursionar novamente em grande escala começando por Inglaterra em Novembro. Na banda estão Carlos Alomar e Reeves Gabrels nas guitarras, Mike Garson no piano, Gail Ann Dorsey, no baixo, Peter Schwartz nos sintetizadores, Zachary Alford na bateria e ajudando no backing vocals, George Simms. Viajou os Estados Unidos com a banda Nine Inch Nails com intuito de angariar uma audiência mais jovem porem a maior parte do público assistia o primeiro show e depois ia embora antes Bowie subir ao palco.

No final de 1996 Bowie grava "Earthling" pesadamente influenciado em techno, jungle e drum'n'bass. Os músicos são uma versão menor de sua banda da excursão anterior, Mike Garson no piano, Reeves Gabrels na guitarra, Zach Alford na bateria e Gail Ann Dorsey no baixo. Concebido em sua maior parte, durante a excursão de "1.Outside", o grosso do disco foi gravado e produzido no tempo inacreditável de onze dias. A mixagem por sua vez foi feito lenta e meticulosamente. Mixagens alternativas foram oferecidas via seu web site, que registrou uma média de 10.000 downloads com 300.000 visitas por dia, e discos promocionais. O CD foi lançado em Janeiro de 1997. Novamente recebendo excelentes criticas, Bowie desta vez excursiona o mundo, passando inclusive pelo Brasil.

Seu trabalho seguinte, "Hours..." de 1999 já não é tão bem visto pela critica, apesar de um admirável trabalho gráfico realizado por Bowie. Todas as composições são em dupla com seu guitarrista Reeves Gabrels. O disco é bastante aberto, sem uma linha bem definida e tem entre os músicos, naturalmente David Bowie que além de cantar está tocando violão e teclados, Chris Haskett na guitarra rítmica, Reeves Gabrels em diversas guitarras e sintetizadores, além de programação de bateria eletrônica, Everett Bradley nas percussões, Mike Levesque como também Sterling Campbell na bateria, Mark Plati no baixo, guitarra, melotron e sintetizador, e finalmente Holly Palmer ajudando no backing vocal. Bowie, Gabrels e Plati co-produzem o álbum enquanto Mark Plati também se responsabiliza como engenheiro de som.

Como jogada de marketing, este foi o primeiro disco totalmente disponível gratuitamente através de download pela net, sendo oferecido com duas semana de antecedência ao seu lançamento oficial nas lojas. Na era dos computadores, Bowie faz uma apresentação ao vivo no dia 16 de Junho no Roseland Ballroom em Nova York, exclusivamente para membros do BowieNet, um clube dentro do seu site davidbowie.com. Um dos artistas mais ligados à rede mundial de computadores na década, Bowie inaugura o BowieBanc.com, onde você pode ter um talão de cheque ou cartão de credito com a imagem do artista. A instituição financeira por trás do empreendimento é USABancShares.com.

Além da bela jogada financeira, David continua investindo pesado em sua carreira. Em 2000, é pai novamente, nascendo sua filha Alexandria. No mesmo ano resolve presentear seus fãs ao lançar um CD duplo intitulado “Bowie At The Beeb”, gravações que o cantor realizou para a emissora britânica BBC e que tangem a primeira metade de sua carreira. Como bônus, as primeiras edições são acompanhadas de um CD bônus, gravado ao vivo no dia 27 de Junho do mesmo ano, no BB Radio Theatre.

Em 2002, David lança o seu último disco solo, “Heathen”, que é bem recebido por crítica e público, apesar de não ser um grande sucesso de vendas. No mesmo ano parte em uma pequena turnê chamado “E2” com o músico Moby, mostrando sua sintonia com as novas gerações. Em “Heathen”, grava canções de alguns artistas, entre eles Pixies (“Cactus”) e Neil Young (“I’ve Been Waiting For You”) e convida Pete Townshend e David Grohl para as gravações. No início de 2003, Bowie lança um dos poucos discos que não foi lançando em CD, o disco “Ziggy Stardust And The Spiders From Mars - The Motion Picture”, além de uma nova cópia do filme em DVD.




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Em 2003 David Bowie lança o CD "Reality", segundo a BBC, o melhor disco de 2003. A canção "New Killer Star" ficou entre as mais tocadas. Bowie fez ainda a melhor turnê mundial da década arrecadando mais de 45 Milhões de dolares em menos de sete meses. A turnê rendeu o DVD "A Reality Tour".

Colaborou: Tiago Luis (thlsilva@uol.com.br)



Fonte: David Bowie - Biografias http://whiplash.net/materias/biografias/038547-davidbowie.html#ixzz1lwI0s1pa

Fonte: David Bowie - Biografias http://whiplash.net/materias/biografias/038547-davidbowie.html#ixzz1lwHerFJX

Fonte: David Bowie - Biografias http://whiplash.net/materias/biografias/038547-davidbowie.html#ixzz1lwGm3pDX

Postado por Renato Spacek

1. Keeper of the Seven Keys Part I e II - Helloween (1987/1988)

Como não podia ser diferente, a primeira posição é do Helloween, a banda criadora do estilo. Antes de mais nada, não seria possível citar aqui apenas um dos dois Keeper's, pois ambos fazem parte da mesma obra e apresentam a banda em sua melhor fase, com a mistura perfeita entre Heavy Metal, melodia e temas épicos. Na época, o jovem Michael Kiske destroçava tudo com seu poderoso vocal e estilo único de cantar (coisa que hoje em dia é um clichê chato pra porra nas demais bandas). As guitarras de Kai Hansen e Michael Waikath eram, talvez, as mais entrosadas do mundo e nos brindaram com solos, riffs e composições que se tornariam clássicos instantâneos, como "Eagle Fly Free", "I Want Out", "Dr. Sten" e a épica "Halloween".






2. Visions - Stratovarius (1997)

Stratovarius sempre foi unanimidade entre os fãs de Power Metal. A banda é uma das veteranas do estilo e a principal responsável por popularizar o Power Metal Melódico, com bateria, guitarra e baixo na velocidade da luz. Visions é o álbum definitivo da banda, o álbum que os colocou no hall dos Metal God's. O álbum joga na cara do ouvinte uma banda técnicamente perfeita, que faz músicas de uma qualidade inquestionável com todas as características que fizeram do Power Metal um dos gêneros mais populares do Metal. No disco, encontramos clássicos como "Black Diamond", "The Kiss Of Judas", "Forever Free" e "Paradise". Ou seja, indispensável para alguém que realmente curte Power Metal.






3. Nightfall In Middle Earth - Blind Guardian (1998)

Se hoje em dia, o Power Metal é conhecido como gênero de nerds gordos amantes de RPG, grande parte da culpa é do Blind Guardian. A banda do Sr. Kürsch é uma das maiores dentro do Power Metal, e, se me permitem dizer, com as composições mais complexas do gênero. Suas músicas inspiradas nas obras de Tolkien conquistaram nerds e metidos a "cult" mundo a fora. Mas brincadeiras a parte, a qualidade musical do Blind Guardian é indiscutível, e Nightfall In Middle-Earth é considerado o melhor álbum da banda por 9 entre 10 fãs. O disco narra a história do livro "O Silmarillion" (J.R.R Tolkkien) com perfeição, até mesmo com algumas falas da obra do escritor inglês. O instrumental é típico do Blind Guardian, com passagens sinfônicas, instrumentais e progressivas, com um show de riffs e os vocais precisos de Hansi.






4. Winterheart's Guild - Sonata Arctica (2003)

Sou meio suspeito para falar sobre Sonata Arctica, afinal é minha banda preferida. O grupo sempre teve uma legião fiel de fãs, mas também foi um dos mais massacrados pelas críticas. No começo por parecer demais com Stratovarius e depois por evoluir musicalmente para um estilo novo, ainda não tocado por ninguém. De qualquer forma, eu escolhi "Winterheart's Guil" por mostrar a banda no seu ápice enquanto tocava Power Metal. Aqui temos tudo de melhor que o Sonata Arctica sabe fazer, desde músicas extremamente velozes até às mais lindas baladas do mundo metálico. Foi nesse disco que a banda começou a explorar um lado mais experimental, como na música "Broken", além de mudanças no andamento das canções. Outro fato especial e que deixa esse disco ainda mais foda, é o fato do gênio Jens Johansson comandar os solos de teclado em algumas músicas.






5. Crimson Thunder - Hammerfall (2002)

Lembram que eu disse que Blind Guardian era um dos principais responsáveis pelo Power Metal ser considerado um gênero de gordos tetudos amantes de RPG? Pois bem, pegue 40% dessa "culpa" e coloque na conta dos caras do Hammerfall. Pois afinal, fazer shows com armaduras e espadas, é dose :D Mas falando do que importa, musicalmente o Hammerfall dispensa qualquer tipo de comentários, pois fazem um Heavy Metal com extrema competência, calcado em melodias e temas épicos, responsáveis, em parte, pelo renascimento do metal no final dos anos 90. O álbum definitivo da banda é esse aqui, lançado em 2002 e se tornando uma das jóias do gênero. Crimson Glory trás músicas que podem ser consideradas até simples mas que conquistam justamente pela verdade apresentada pela proposta grupo (vide "Riders Of The Storm").






6. Land Of The Free - Gamma Ray (1994)

É claro que não poderia falta um álbum do Gamma Ray aqui. Mas eu estava com uma dúvida do caralho entre o álbum de estreia da banda ("Heading for Tomorrow" [1990]) ou o seu maior sucesso comercial e primeiro álbum com Kai Hansen nos vocais. Em dúvida entre o poderoso vocal de Ralf Scheepers ou o surto de inspiração de Kai em 1994. Bom... A inspiração ganhou, e ganhou com todos os méritos, pois mesmo com certa limitação vocal, Kai pariu uma das maiores pérolas do Heavy Metal, já que o álbum tem de tudo que um clássico necessita: uma banda afinadíssima, produção impecável e composições que simplesmente chutam bundas. Só a faixa de abertura já vale um disco todo, mas ainda temos a gloriosa faixa título, mais músicas bombásticas, uma balada matadora além de termos a chance de ver Kai e Kiske juntos novamente (;






7. Symphony of Enchanted Lands - Rhapsody (1998)

Quando se pensa em Power Metal Sinfônico, qual a primeira banda que nos vem a cabeça? Se você disse Rhapsody, parabéns, és um poser que gosta de música repetitiva (risos). Brincadeiras a parte, o Heavy Metal está dividido entre antes de depois de Rhapsody e podem reclamar o quanto for. Não, isso não é exagero, já que hoje TUDO o que ouvimos dentro do metal que tenha tecladinhos ou linhas sinfônicas (ou seja, 90% dos lançamentos) foi influência desses italianos aqui. "Symphony Of Enchanted Lands" é o álbum que realmente firmou o grupo e não existe outro adjetivo para descrevê-lo senão "épico". Então peguem sinfônias e arranjos épicos, junto com letras épicas e coros épicos e terão um dos melhores álbuns de Power Metal já lançados.






8. Devil's Ground - Primal Fear (2004)

Quando Ralf Scheepers saiu do Gamma Ray, ele fundou o Primal Fear junto com Mat Sinner e continuou fazendo o seu Power Metal. Mas aqui temos uma diferença básica: o peso. Caras, na boa, Primal Fear é a banda de Power Metal mais pesada que eu conheço. Tem uma cozinha matadora, guitarras MUITO distorcidas e Ralf continuou chutando bundas. Desde o início, a banda lançou jóias com certa regularidade, então ficou difícil escolher um álbum, mas escolhi "Devil's Ground" por dois fatores: a produção - que é perfeita - e a música de abertura, que é simplesmente um hino, uma música pra qualquer headbanger levantar o punho e bater a cabeça o/. Então, se você procura algo básico, rápido e pesado, eis seu álbum...

Os dois últimos álbuns são lançamentos recentes, mas que chutaram bundas e realmente me impressionaram muito, a ponto de entrar na minha lista (:






9. Gather The Faithful - Cain's Offering (2009)

Não me canso de falar sobre este álbum, tanto é que já o citei em uns 3 outros posts aqui do blog. Pois bem, pra quem ainda não sabe, Cain's Offering é o projeto que Jani Liimatainen criou depois que saiu do Sonata Arctica, e Gather The Faithful é seu primeiro e único lançamento. O álbum também conta com a presença de nomes como Timo Kotipelto (Stratovarius) e Mikko Härkin (ex-Sonata Arctica). Aqui teríamos o típico Power Metal finlandês, se não fosse por um pequeno detalhe: a imaginação criadora de Jani, que simplesmente acabou com tudo. O álbum consegue mesclar Power Metal com os mais variados estilos, que passam pelo Hard Rock, Death Metal, Pop e até Metal Sinfônico. A produção foi perfeita, mas mesmo que não fosse, esse álbum tem qualidade o suficiente para se tornar clássico, a única coisa que faltou foi um pouco de divulgação. Então se alguém estranha esse disco na minha lista, ouça e mudará rapidamente de ideia (:






10. Vendetta - Celesty (2009)

Vindo da Finlândia, o Celesty é uma banda relativamente nova, mas que com o passar dos anos vem lançando álbum bom atrás de álbum bom. Só que foi em Vendetta, o quarto álbum do grupo, que esses caras chegaram ao seu ápice. O álbum é ótimo desde a primeira nota da introdução até o último acorde da épica "Legacy Of Hate". Aqui a banda nos brinda com velocidade, peso, virtuosidade e feeling, ou seja, um PUTA DISCO. Destaques para a incrível "Euphoric Dream" e para a poderosa dupla de guitarristas. Vendetta foi um álbum conseguiu me conquistar logo na primeira audição, e digo uma coisa: fará o mesmo com vocês.


Fonte: Power Metal: os dez álbuns essenciais do gênero - Melhores e Maiores http://whiplash.net/materias/melhores/124899.html#ixzz1lwKAFqjI

domingo, 23 de janeiro de 2011

animais vevenonosos

Cobra Rei



Filo: Chordata

Classe: Reptilia

Ordem: Squamata

Família: Elapidae

Comprimento: até 6 m

Ataca o homem
Como a maioria das serpentes de sua espécie, a cobra-rei vive na Índia. É fácil distingui-la das serpentes aparentadas, especialmente da naja indiana, pelo seu porte avantajado. É a maior cobra venenosa. Seu veneno é tão mortal que uma mordida pode derrubar um tigre ou mesmo um elefante.

A cobra-rei sempre foi importante na mitologia do Extremo Oriente. Tem sido usada como modelo em pequenas estátuas, joalheria e decoração. Ainda prevalece na Birmânia um estranho costuma. uma jovem pára em frente da serpente e oferece-lhe leite em uma tigela. Se a cobra avançar, ela deve beijá-la na cabeça.

A cobra-rei alimenta-se principalmente de outras cobras, desde a cobra-de-capim até uma pequena píton. Antes do acasalamento, macho e fêmea executam uma espécie de dança nupcial, na qual se enfrentam com as cabeças erguidas. Elas vivem aos pares, fato raro entre as cobras. Na época da postura, a fêmea prepara um ninho de folhas, capim e galhinhos. É perigoso chegar perto do ninho nessa ocasião porque o macho está sempre de guarda


Armadeira ou Aranha da banana
Nome Científico: Phoneutria spp

Identificação: Agressivas e valentes; espinhos negros implantados no corpo; coloração cinza com 2 a 3 cm de comprimento; fórmula ocular: 2 olhos na 1ª fila, 4 olhos na 2ª fila e 2 olhos na 3ª fila, implantados na cabeça. O corpo é coberto por pêlos curtos, aderentes, amrrons acizentados, o segmento basal da quelícera tem pêlos vermelhos. No dorso do abdômen há pares de manchas claras formando uma faixa longitudinal e desta seguem filas laterias oblíquas de manchas menores. O ventre da fêmea é negro e do macho alaranjado, apresentando o macho um colorido geral mais claro, amarelado. As pernas apresentam espinhos negros implantados em manchas claras.

Ação do veneno (peçonha): Neurotóxica. São responsáveis pleo mais número de acidentes de aranhas. O veneno desta aranha costuma agir mais rapidamente do que a da maioria das serpentes. Há registro de mortes de crianças, seis a doze horas após o cidente, bem como de alguns adultos.

Composição do veneno: a composição do veneno foi estudada por Schenberg e Pereira Lima (1966) que registram polipeptídes básicos de peso molecular aproximado de 5 a 6.000 D.

O ataque: Todas as espécies são causadoras de acidentes pois ao se sentirem ameaçadas procuram picar. Assumem uma atitude típica, apoiando-se nos dois pares de pernas traseiras, erguendo os dois dianteiros e os papos, abrindo os ferrões, eriçando os espinhos. Acompanham o moviemnto do agressor procurando a defesa no ataque. São muito rápidas.

Onde são encontradas: As estatisticas demonstram que a maioria dos acidentes ocorre dentro de casa, nos quintais, jardins (quando se removem utensílios) e, principlamente, em casas campestres e de veraneio. Escondidas dentro dos sapatos, costumam picar os dedos dos pés da vítima.Tornam-se mais ativas nos meses de acasalamento ( em São paulo: março/abril) quando podem ser encontradas inclusive dentro de casa, escondendo-se em sapatos, atrás de cortinas, no meio da roupa.

Distribuição geográfica: Ocorre em toda América do Sul. Pelo fato de abrigarem-se em cahcos de banan são exportadas para outros países.

Habitats: As armadeiras não constroem teias. São crespusculares e noturnas, alojando-se em locais escuros, buracos na terra ou sob a vegetação , entre folhagens de arbustos, sob troncos de árvores, no interior escuro das bainhas das folhas de coqueiros ou palmeiras derrubadas ao chão ou dentro das bainhas das bananeiras, inclusive entre os cachos de frutas.


Sintomatologia:

Dor local e generalizada pelo membro atingido;
Pulso rápido, febre e sudorese, principalmente na nuca;
problemas respiratórios, vômitos, vertigens e dificuldades de acomodação visual;
morte por asfixia, principalmente em crianças.
Tratamento: (procurar o médico ou posto de saúde mais próximo - se for um animal mordido pela aranha deve-se procurar o médico vetrinário o mais rápido possível)

analgesia, pela infiltração local, ao redor da picada, de aproximadamente 4 ml de anestésico do tipo lidocaína a 2%, sem vasoconstritor. Se necessário, repetir a mesma dose uma e duas horas após. Se a dor persistir,
fazer uso do soro antiaracnídeo polivalente na dose de 5 a 10 ampolas, por via endovenosa. A soroterapia está sempre indicada quando estiver presente o choque neurogênico, em crianças menores de sete anos de idade e adultos com dor persistente após tratamento sintomático.
O tratamento complementar da dor local com banho de imersão, analgésicos e sedativos pode ser utilizado. Os mesmos cuidados referidos para a soroterapia antibotrópica devem ser tomados quando da administração do soro antiaracnídeo.

IMPORTANTE: Toda pessoa agredida por aranhas deve ser encaminhada ao Pronto Socorro e se possível levar a aranha para identificação. Lembre-se sempre que a rapidez de atendimento em acidentes com qualquer animal Peçonhento pode significar a diferença entre a vida e a morte. A auto medicação pode ser fatal e não deve ser realizada. Procure sempre um médico e o pronto socorro mais próximo.



Nome Científico: Loxosceles

Nome em Ingês: Brown Spider ou Violin Spider

Identificação: É a menor aranha entre as mais perigosas (Corpo 7-12 mm). Por causa dos hábitos noturnos e seu tamanho, passam desapercebidas pelo homem e podem então proliferar-se extraordinariamente. Os machos têm corpo menor e pernas relativamente mais longas. O cefalotórax é baixo, isto é, não ultrapassa, em altura, o abdômen, os olhos são seis, reunidos em três pares de quelíceras são soldadas na base. Todas apresentam um colorido uniforme que varia do marron claro até o escuro, podendo apresentar no cefalotórax um desenho amarelo em forma de estrela (L. gaucho). As fêmeas alcançam a maturidade sexual em média aos 328,5 dias e os machos em 454,7 dias. Uma fêmea pode produzir até 15 ootecas que contêm de 22 a 138 ovos. A duração de vida é de 1536 dias para as fêmeas e 696 para os machos que acasalaram.

O ataque: Não são aranhas agressivas e a maioria dos acidentes (cerca de 80%) ocorrem dentro de casa. Elas picam quando são comprimidas contra o corpo da vítima, dentro de roupas , toalhas de banho e na cama.

Onde são encontradas: São aranhas domiciliares que se alojam, de preferência, nos armários, roupas e sapatos velhos. Comprimidas ao corpo da vítima quando esta se vete ou calça o sapato, desferem seu ataque. As picadas atingem, com mais freqüência, os antebraços, braços e ombros, colo, nuca, rosto, tórax, ventre e, mais raramente, outras partes do corpo.

Distribuição geográfica: Gertsh (1959 e 1967) fez uma revisão das espécies do gênero Loxosceles, que ocorrem o continente americano; citou 18 espécies para a América do Norte, Central e Antilhas e 30 para a América do Sul.

Lista de algumas das espécies:

L. rufescens - Cosmopolita; EUA, onde foi introduzida e provavelmente América Central e do Sul e em diversas ilhas do Oceano Atlântico.

L. rufipes - Toda a América Central e Colômbia

L. laeta - Toda a América do Sul até a América Central (Chile, Peru, Colômbia, Equador, Argentina, Guatemala e Honduras).

L. gaucho - L. similis - Brasil

L. variegata - Paraguai

L. spadicea - Bolívia

L. lutea - Colômbia e Equador

Habitats: Habitam os climas quentes e temperados e no continente americano ocorrem cerca de 50 espécies diferentes.

Ação do veneno (peçonha): O veneno tem ação proteolitica e hemolítica e, se manifestam tardiamente, em torno de 12 a 24 horas após o acidente.

Quadro clínico: O quadro clínico cutâneo caracteriza-se por edema, eritema, dor local emelhante a queimadura. Quando há comprometimento cutâneovisceral, observamos febre, mal-estar generalizado, icterícia, equimose, vesículas, bolhas, necrose e ulceração. A urina torna-se escura, cor de "coca-cola".
Pode evoluir para oligúria, anúria e insuficiência renal aguda, semelhante ao que ocorre no acidente crotálico.

Tratamento: (O tratamento específico é feito com o soro antiaracnídeo e/ou antiloxoscélico, 10 ampolas pelas via endovenosa. O tratamento complementar consiste na limpeza local com anti-sépticos e hidratação do doente de maneira semelhante ao preconizado para o acidente crotálico.
A vacinação anti-tetânica está indicada. Os antibióticos devem ser utilizados quando houver infecção secundária de maneira semelhante ao preconizado no acidente botrópico. O emprego do soro específico deve ser feito até 36 horas após o acidente



A viúva-negra é uma espécie de aranha extremamente perigosa. Sua picada pode, quase sempre, ser fatal devido ao seu concentrado veneno. Seu nome origina-se do seu acasalamento, que, após a cópula com o macho da mesma espécie, está acaba por matá-lo e alguns casos mais distantes, até consome-o como alimento, tornando-se assim uma viúva e negra por conta de sua cor escura. Possui uma ampla mancha vermelha abdômen.

Alguns a consideram a aranha mais perigosa do Brasil tendo em vista pela sua abundância na região, fazendo com que ocorram diversas fatalidades carregadas pelo seu nome. Porém essa informação é falsa, ainda existem duas aranhas que são mais perigosas que essa espécie: a aranha-marrom (segundo lugar) e a armadeira (primeiro lugar), tendo esta o maior número de fatalidades no mundo relacionados à sua espécie.

Assim como a maioria das aranhas, não tem o costume de sair à caça, apenas arma sua teia em diversos locais e espera que pequenos insetos como mosquitos, pernilongos, larvas e outros fiquem preso em sua armadilha e, ou espera morrerem para comer ou simplesmente começam sua digestão ainda vivos.




A Mamba-negra (Dendroaspis polylepis) é a segunda serpente maior e mais venenosa do mundo, atrás apenas da Cobra Rei" (Ophiophagus hannah). Seu tamanho varia de 2,5 m a 4,5 m. É a cobra mais rápida do mundo, capaz de se deslocar a 20km/h. No entanto, usa essa velocidade para escapar do perigo e para atacar as suas presas[1].

Ao contrário das outras espécies do mesmo género, vive a maior parte do tempo no solo, mas pode escalar árvores com facilidade. Sua dieta consiste de pequenos mamíferos e aves. Tem um bote muito rápido e seu veneno causa paralisia, podendo levar a vítima à morte se não for tratada rapidamente. Se a picada for na região do pé ou na canela pode levar de 2 a 4 horas para a vítima vir a morte; ser for picada na região do tórax ou rosto as vítimas morrem em menos de 20 minutos. No verão, a fêmea coloca de 12 a 18 ovos. A expectativa média de vida da mamba-preta é de 12 anos.

A mamba-negra não tem este nome devido à cor do seu corpo, já que tem uma cor acinzentada, mas ao interior preto da sua boca, que ela exibe em sinal de ameaça. Ao contrário do que por vezes se diz, não ataca voluntariamente o homem. No entanto, reage agressivamente se se sentir ameaçada.

É encontrada no Quênia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue, Moçambique, Botswana, Angola e Namíbia.



Crotalus é um gênero de serpentes da família Viperidae. São terrestres, com bote veloz e alcance de um terço do seu comprimento. São ovovivíparas ou vivíparas, possuem cauda com guizo, cabeça triangular, fosseta loreal e presas que inoculam veneno. Tem cor de fundo castanho claro, de tonalidades diferentes, mas se destaca uma linha de manchas losangulares marrons, mais ou menos escuras, marginadas por branco ou amarelo no dorso. O gênero Crotalus está representado no Brasil por uma única espécie, Crotalus durissus (nome popular: cascavel), que tem uma ampla distribuição geográfica. São responáveis pelo maior número de mortalidade. Seu veneno é o mais letal e tem ações neurotóxica, anticoagulante e miotóxica sistêmica. Exemplos de ações sistêmicas: como anorexia, apatia, depressão, sonolência, anúria, coma e morte.

[editar] Espécies


peixe pedra nunca iria ganhar um prêmio de beleza, mas com certeza ganharia "O mais famoso peixe venenoso do mundo". Seu veneno provoca uma dor que as vítimas desejam que o membro afetado seja amputado. Ela é descrita como a pior dor que o homem pode suportar. É acompanhado com possível choque, paralisia e morte dos tecidos. Se não for dada a atenção médica ao fim de algumas horas pode ser fatal para os seres humanos.
Stonefish armazena suas toxinas nos macabros espinhos que são projetados para evitar predadores.
Stonefish principalmente viver acima do trópico de Capricórnio, freqüentemente encontrados na águas rasas tropicais marinhas do oceanos Pacífico e Índico, desde o Mar Vermelho a Grande Barreira de Corais.

Cone caramujo pode ser tão mortal quanto qualquer outro animal sobre esta lista. Uma gota do seu veneno é tão poderoso que pode matar mais de 20 pessoas. Se acontecer de estar no ambiente de água salgada quente (onde esses caramujos são frequentemente encontradas) e vê-lo, nem sequer pensar em pega-lo. Evidentemente, a verdadeira finalidade do seu veneno é de capturar sua presa.
Os sintomas de um cone caracol podem iniciar imediatamente ou pode demorar. Daqui resulta em dor intensa, inchaço, dormência e formigamento. Casos severos envolvem paralisia muscular, visão turva, mudanças e insuficiência respiratória. Não há antiveneno. No entanto, apenas cerca de 30 mortes foram registradas a partir de cone caracol envenenamento.


Os peixes são a segunda causa de envenenamento de vertebrados na terra (o primeiro é um sapo dourado dardo). A carne de algumas espécies é uma delicadeza, tanto no Japão (como Fugu) e Coreia (como bok-uh), mas o problema é que a pele e de certos órgãos baiacu são muito tóxicas para os seres humanos.
Este peixe fofinho pode produzir rápida e violenta morte .Baiacu causa intoxicação dormência da língua e lábios, tonturas, vómitos, ritmo cardíaco rápido, dificuldade respiratória e paralisia muscular. As vítimas morrem devido a asfixia como diafragma músculos estão paralisados. A maioria das vítimas morre depois de quatro a 24 horas. Não há antídoto conhecido, A maioria das mortes por Fugu acontecer quando as pessoas bisonho captura e preparar o peixe.



Aranha armadeira (Phoneutria) ou aranha da banana aparece no Livro Guinness dos Recordes Mundiais 2007 para os mais aranhas venenosas e aranhas é o responsável por mais mortes.
Esta aranha é que se acredita que tem o mais potente neurotóxico veneno de uma aranha viva. Apenas 0,006 mg (0,00000021 onça) é suficiente para matar um rato. Eles também são tão perigosas devido à sua natureza nômade. Elas costumam esconder durante o dia, em áreas densamente povoadas no interior casas, roupas, botas, e automóveis.
Sua picada provoca não só a dor intensa, o veneno da aranha também pode causar priapismo - desconfortável ereções duradouras para muitas horas que conduzem à impotência


O Polvo de anéis azuis é muito pequeno, apenas o tamanho de uma bola, mas o seu veneno é tão poderoso que pode matar um humano. Na verdade ela carrega veneno suficiente para matar 26 humanos adultos dentro de minutos, e não há antídoto. Estão atualmente reconhecida como uma das espécies de animais mais peçonhentos.
Sua picada indolor pode parecer inofensivo, mas o mortal neurotoxinas começar a trabalhar imediatamente, resultando em fraqueza muscular, dormência, seguido por uma cessação e respiração e, finalmente, a morte.
Podem ser encontrados em piscinas no Oceano Pacífico, do Japão para a Austrália.


Se acontecer de sair correndo pela floresta tropical em algum lugar na América Central ou do Sul, nunca pegue sapos belos e coloridos - pode ser o Poison Dart Frog. Este sapo é provavelmente o mais venenosos animais em Terra. As 2 polegadas de comprimento (5cm) da rã de dardo dourado tem veneno suficiente para matar 10 humanos adultos ou 20.000 camundongos. Apenas 2 microgramas desta toxina letal (o montante que cabe na cabeça de um alfinete) é capaz de matar um ser humano ou de outros grandes mamíferos. Eles são chamados de "dardo rãs" porque os índios usam suas secreções tóxicas para envenenar as pontas de seus dardos-golpe.





O tal peixe venenoso é o fugu ou baiacu, que tem muita tetrodotoxina, um veneno dez vezes mais forte que o cianeto. Para que a iguaria não mate ninguém, o chef retira uma bolsa perto das brânquias com o veneno. Depois, ele fura a bolsa e espalha sobre a carne do peixe uma pequena dose da toxina, para provocar um certo "efeito alucinógeno" em quem come!
Por causa dos riscos da ingestão do alimento, os cozinheiros e chefs de restaurantes são exaustivamente treinados até ganharem o aval para preparar o fugu para consumo.




Filo: Mollusc

Classe: Cephalopoda

Ordem: Octopoda

Família: Octopodidae

Género: Hapalochlaena

Espécie: H. maculosa


Nome binomial
Hapalochlaena maculosa


O polvo-de-anéis-azuis (Hapalochlaena maculosa) é uma espécie de polvo conhecida pelos visíveis anéis azuis no seu corpo e pelo veneno muito poderoso que possui.[1] O polvo de anéis azuis vive nas costas da Austrália e é muito pequeno, possuindo apenas 12 cm.

[editar] Alimentação
A sua dieta consiste tipicamente de caranguejos pequenos e camarão, mas pode também alimentar-se de peixes quando a oportunidade surge. Ele salta para a presa, morde-a e usa o seu bico para a rasgar aos poucos. Suga a carne para fora do exoesqueleto do crustáceo. Em condições de laboratório foram vistos em atos de canibalismo, comendo elementos da mesma espécie, embora isto não seja observado na natureza.


O seu veneno é um grande coquetel de compostos tóxicos conhecidos como tetrodotoxina, é capaz de matar as vítimas com grande facilidade, sendo que uma dose é capaz de matar 20 homens. Se equipara ao veneno do Conus, um caracol marinho igualmente venenoso. Poucas vezes se pensaria num polvo como um animal venenoso e, contudo, esta espécie que habita na Grande Barreira de Coral Australiana, é um dos animais mais venenosos do planeta. A quantidade de veneno de uma mordedura deste polvo, é suficiente para matar em poucos minutos vinte pessoas ou um animal do tamanho de um búfalo com cerca de 1.200Kg. Por sorte, os acidentes com humanos são raríssimos, pois não há antídoto para o veneno deste polvo.



Phyllobates terribilis

Classificação científica
Filo: Chordata

Classe: Amphibia

Ordem: Anura

Subordem: Neobatrachia

Família: Dendrobatidae

Género: Phyllobates

Espécie: Phyllobates terribilis



Phyllobates terribilis é uma espécie de anfíbio da família Dendrobatidae. Em relação ao peso e ao tamanho, este é o animal consagrado como sendo o mais venenoso do planeta, com veneno suficiente para matar várias pessoas[carece de fontes?].

Mais de 100 toxinas foram identificadas nesta rã.

O veneno em destaque é a homobatracotoxina, um composto químico mortal cujo único sintoma é a falência múltipla dos órgãos.

Ela divide o veneno (embora em concentração menor) nas penas do Pitohui, um pássaro venenoso encontrado na Nova Guiné

sábado, 22 de janeiro de 2011

tragedias

Um fato sempre intrigou biólogos e geólogos na baia de Lituya, no Alaska Ao redor de toda a baia, nas margens, existe uma faixa de vegetação começando da linha dagua composta por arvores jovens e somente muitas dezenas e até centenas de metros acima é que aparecem as arvores velhas.

Os cientistas sempre souberam que as arvores jovens nasceram em decorrência da morte das arvores velhas que ali estavam, mas não sabiam o que havia causado isso.

Um evento geológico colossal elucidou o enigma.

No dia 9 de julho de 1958, um grande terremoto de 8.5 graus na escala richter sacudiu a região da baia de Lituya. Uma grande massa de rocha com volume estimado de 30 milhões de metros cúbicos se desprendeu de uma altura de 900 metros de uma montanha, mergulhando na profunda baia de Lituya. O gigantesco e súbito deslocamento de água produziu uma descomunal onda. Segundos depois, parte da onda atingiu a margem oposta ao deslizamento 1350 metros adiante e quebrou, subindo uma outra montanha e derrubando arvores a inacreditáveis 524 metros de altura. O restante da onda seguiu adiante e arrasou com a baia de Lituya derrubando arvores a até 200 metros de altura.

Os acontecimentos de 1958 mostraram que Tsunamis também podem ser criados por deslocamento de grandes massas de rochas de ilhas vulcânicas e da plataforma continental, o que se um dia ocorrer, será numa escala muito maior e poderá devastar litorais de paises.


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Peste negra é a designação por que ficou conhecida, durante a Baixa Idade
Média, a pandemia de peste bubónica (português europeu) ou bubônica (português brasileiro) que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas[1][2], sendo que alguns pesquisadores acreditam que o número mais próximo da realidade é de 75 milhões [3], um terço da população da época.

A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis[4], transmitida ao ser humano através das pulgas (Xenopsylla cheopis) dos ratos-pretos (Rattus rattus) ou outros roedores. Os surtos de peste bubônica têm origem em determinados focos geográficos onde a bactéria permanece de forma endêmica, como no sopé dos Himalaias e na região dos Grandes Lagos Africanos. As restantes populações de roedores infectados hoje existentes terão sido apenas contaminadas em períodos históricos.

As populações de alguns roedores das pradarias vivem em altíssimos números em enormes conjuntos de galerias subterrâneas que comunicam umas com as outras. O número de indivíduos nestas comunidades permite à peste estabelecer-se porque, com o constante nascimento de crias, há sempre suficiente número de novos hóspedes de forma contínua para a sua manutenção endémica. Naturalmente que as populações de ratos e de humanos nas (pequenas) cidades medievais nunca tiveram a massa crítica contínua de indivíduos susceptíveis para se manterem. Nessas comunidades de homens, a peste infecta todos os indivíduos susceptíveis até só restarem os mortos e os imunes. Só após uma nova geração não imune surgir e se tornar a maioria, pode a peste regressar. Nas comunidades humanas, portanto, a peste ataca em epidemias.



Balanço devastador
Os 10 tremores mais letais da humanidade mataram mais de 2 milhões
1. Shensi, China, 1556 - 830 mil mortos

Na região central da China, a terra tremeu em 23 de janeiro de 1556 para produzir o pior desastre natural de que se tem notícia. O terremoto atingiu oito províncias e arrebentou 98 cidades - algumas delas perderam 60% da população. A maior parte das pessoas morreu soterrada na queda de casas mal construídas

2. Calcutá, Índia, 1737 - 300 mil mortos

Relatos de época indicam que essa catástrofe de 11 de outubro de 1737 tenha sido um terremoto. Mas, como na época não existiam registros 100% confiáveis, alguns especialistas levantam a hipótese de que o estrago foi causado por um ciclone. Além dos mortos, o cataclismo deixou 20 mil barcos à deriva na costa

3. Tangshan, China, 1976 - 250 mil mortos

O tremor de 27 de julho de 1976 sacudiu o nordeste da China. A cidade toda dormia quando o chão mexeu, fazendo cerca de 800 mil feridos. Até hoje, especialistas suspeitam que o número de mortos possa ser muito maior que o divulgado pelo governo. Estima-se que o total de vítimas possa ter chegado a 650 mil

4. Kansu, China, 1920 - 200 mil mortos

Essa região situada no centro-norte do país não sentia um tremor havia 280 anos, mas esse de 16 de dezembro de 1920 botou para quebrar: atingiu uma área de 67 mil km2, arrasando dez cidades. A série de ondulações deformou a área rural e prejudicou uma das principais atividades econômicas da região, a agricultura

5. Kwanto, Japão, 1923 - 143 mil mortos

O megatremor de 1º de setembro de 1923 atingiu as principais cidades do Japão. Só em Tóquio e Yokohama, mais de 60 mil pessoas morreram nos incêndios causados pelo abalo. Logo depois desse terremoto, a profundidade da baía de Sagami, no sul de Tóquio, aumentou mais de 250 metros em alguns pontos

6. Messina, Itália, 1908 - 120 mil mortos

Em 28 de dezembro de 1908, o sul da Itália sofreu com um grande terremoto que devastou as regiões da Sicília e da Calábria. Para complicar ainda mais as coisas, o tremor foi seguido por tsunamis de até 12 metros de altura. A seqüência de enormes paredes de água quebrou na costa do país e amplificou os estragos

7. Chihli, China, 1290 - 100 mil mortos

Quase não há registros sobre esse chacoalhão de 27 de setembro de 1290 - apenas a certeza de que ele foi um dos mais mortais da história. A província de Chihli, que teve seu nome mudado para Hopei em 1928, inclui a cidade de Tangshan e é famosa pelos terremotos, que já teriam vitimado mais de 1 milhão de pessoas

8. Shemakha, Azerbaijão, 1667 - 80 mil mortos

Por estar situada em cima de uma zona sujeita a abalos, essa cidade foi destruída por vários terremotos. O primeiro - e mais mortal - foi esse de novembro de 1667. Depois do susto, a tranqüilidade não durou muito: registros da época indicam que a terra voltou a tremer por lá dois anos depois

9. Lisboa, Portugal, 1755 - 70 mil mortos

Em apenas 3 horas, a capital portuguesa foi atingida por três tremores distintos, que destruíram 85% da cidade. Gigantescas ondas atingiram a região, a água subiu 5 metros acima do nível normal e um incêndio consumiu casas, igrejas, palácios e bibliotecas. A tragédia aconteceu em 1º de novembro de 1755

10. Yungay, Peru, 1970 - 66 mil mortos

Esse terremoto de 31 de maio de 1970 fez desabar um enorme pico de gelo na cordilheira dos Andes. Em poucos minutos, a cidade de Yungay estava debaixo de uma massa de neve e detritos que desceram a encosta a mais de 300 km/h. Para piorar a situação, as inundações subiram o prejuízo para 530 milhões de dólares



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O tsunami que atingiu uma cadeia de ilhas próxima à de Sumatra, na Indonésia, após um terremoto de 7,7 graus na escala Richter ocorrido nesta segunda-feira (25) e que provocou a morte de mais de cem pessoas despertou a lembrança do maior tsunami da história, que ocorreu em 26 de dezembro de 2004 e atingiu 14 países no Oceano Índico.

O total oficial de mortos confirmados ficou em 174.542, mas estimativas que levam em conta relatos de desaparecidos colocam o número de mortos em 193.623. A cifra informal com a qual a maioria das agências de notícias trabalham é de 223 mil mortos, sendo que alguns números calculam em mais de 300 mil.

Relembre em imagens o tsunami de 2004

A diferença nos números ocorre porque nem todos os corpos foram encontrados e em muitas ilhas, especialmente na Indonésia, não se sabia ao certo quantas pessoas viviam. Por isso, não é possível calcular com exatidão quantas morreram.

Os países mais afetados foram Tailândia, Indonésia, Índia e Sri Lanka. O tsunami foi gerado por um terremoto cuja intensidade chegou a 9,3 graus, um dos maiores já registrados.
O abalo ocorreu a 10 km abaixo do nível do mar, a oeste da ilha de Sumatra, na Indonésia, no começo da manhã (7h58 locais). Ao tremor seguiu-se a formação de uma série de ondas de mais de dez metros de altura que varreram cidades costeiras
o que foi a gripe espanhola em 1918
Category: doenças • vírus

Pandemia de gripe de 1918
Por: Juliana Rocha


Transporte de soldados mortos na França. NMHM/US.
Abrigados em trincheiras, os soldados enfrentavam, além de um inimigo sem rosto, chuvas, lama, piolhos e ratos. Eram vitimados por doenças como a tifo e a febre quintana, quando não caíam mortos por tiros e gases venenosos.

Parece bem ruim, não é mesmo? Era. Mas a situação naquela Europa transformada em campo de batalha da Primeira Grande Guerra Mundial pioraria ainda mais em 1918. Tropas inteiras griparam-se, mas as dores de cabeça, a febre e a falta de ar eram muito graves e, em poucos dias, o doente morria incapaz de respirar e com o pulmões cheios de líquido.

Em carta descoberta e publicada no British Medical Journal quase 60 anos depois da pandemia de 1918-1919, um médico norte-americano diz que a doença começa como o tipo comum de gripe, mas os doentes “desenvolvem rapidamente o tipo mais viscoso de pneumonia jamais visto. Duas horas após darem entrada [no hospital], têm manchas castanho-avermelhadas nas maçãs do rosto e algumas horas mais tarde pode-se começar a ver a cianose estendendo-se por toda a face a partir das orelhas, até que se torna difícil distinguir o homem negro do branco. A morte chega em poucas horas e acontece simplesmente como uma falta de ar, até que morrem sufocados. É horrível. Pode-se ficar olhando um, dois ou 20 homens morrerem, mas ver esses pobres-diabos sendo abatidos como moscas deixa qualquer um exasperado”.



Enfermaria com gripados em Luxemburgo. NMHM/US.
A gripe espanhola – como ficou conhecida devido ao grande número de mortos na Espanha – apareceu em duas ondas diferentes durante 1918. Na primeira, em fevereiro, embora bastante contagiosa, era uma doença branda não causando mais que três dias de febre e mal-estar. Já na segunda, em agosto, tornou-se mortal.

Enquanto a primeira onda de gripe atingiu especialmente os Estados Unidos e a Europa, a segunda devastou o mundo inteiro: também caíram doentes as populações da Índia, Sudeste Asiático, Japão, China e Américas Central e do Sul.

O mal chega ao Brasil

No Brasil, a epidemia chegou ao final de setembro de 1918: marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, na costa atlântica da África, desembarcaram doentes no porto de Recife. Em pouco mais de duas semanas, surgiram casos de gripe em outras cidades do Nordeste, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que era então a capital do país.



Morto pela gripe. Rio de Janeiro. Clube de Engenharia.
As autoridades brasileiras ouviram com descaso as notícias vindas de Portugal sobre os sofrimentos provocados pela pandemia de gripe na Europa. Acreditava-se que o oceano impediria a chegada do mal ao país. Mas, com tropas em trânsito por conta da guerra, essa aposta se revelou rapidamente um engano.

Tinha-se medo de sair à rua. Em São Paulo, especialmente, quem tinha condições deixou a cidade, refugiando-se no interior, onde a gripe não tinha aparecido. Diante do desconhecimento de medidas terapêuticas para evitar o contágio ou curar os doentes, as autoridades aconselhavam apenas que se evitasse as aglomerações.

Nos jornais multiplicavam-se receitas: cartas enviadas por leitores recomendavam pitadas de tabaco e queima de alfazema ou incenso para evitar o contágio e desinfetar o ar. Com o avanço da pandemia, sal de quinino, remédio usado no tratamento da malária e muito popular na época, passou a ser distribuído à população, mesmo sem qualquer comprovação científica de sua eficiência contra o vírus da gripe.


Clube de Engenharia.


Imagine a avenida Rio Branco ou a avenida Paulista sem congestionamentos ou pessoas caminhando pelas calçadas. Pense nos jogos de futebol. Mas, ao invés de estádios cheios, imagine os jogadores exibindo suas habilidades em campo para arquibancadas vazias. Pois, durante a pandemia de 1918, as cidades ficaram exatamente assim: bancos, repartições públicas, teatros, bares e tantos outros estabelecimentos fecharam as portas ou por falta de funcionários ou por falta de clientes.

Pedro Nava, historiador que presenciou os acontecimentos no Rio de Janeiro em 1918, escreve que “aterrava a velocidade do contágio e o número de pessoas que estavam sendo acometidas. Nenhuma de nossas calamidades chegara aos pés da moléstia reinante: o terrível não era o número de casualidades - mas não haver quem fabricasse caixões, quem os levasse ao cemitério, quem abrisse covas e enterrasse os mortos. O espantoso já não era a quantidade de doentes, mas o fato de estarem quase todos doentes, a impossibilidade de ajudar, tratar, transportar comida, vender gêneros, aviar receitas, exercer, em suma, os misteres indispensáveis à vida coletiva”.

Durante a pandemia de 1918, Carlos Chagas assumiu a direção do Instituto Oswaldo Cruz, reestruturando sua organização administrativa e de pesquisa. A convite do então presidente da república, Venceslau Brás, Chagas liderou ainda a campanha para combater a gripe espanhola, implementando cinco hospitais emergenciais e 27 postos de atendimento à população em diferentes pontos do Rio de Janeiro.

Estima-se que entre outubro e dezembro de 1918, período oficialmente reconhecido como pandêmico, 65% da população adoeceu. Só no Rio de Janeiro, foram registradas 14.348 mortes. Em São Paulo, outras 2.000 pessoas morreram.

O terrível destino de Pompéia

Era 1 hora da tarde de 24 de agosto do ano 79, um dia como qualquer outro em Pompéia, importante cidade romana, na baía de Nápoles. O mercado fervilhava de gente. Os camponeses trabalhavam nas plantações. Ao fundo, uma grande montanha, coberta de pinheiros. De repente, aquela montanha bucólica, o Vesúvio, emitiu um estrondo ensurdecedor. Uma coluna de cinza quente se elevou a 20 quilômetros de altura. Uma tempestade de lava, cinza e pedra-pomes (rocha vulcânica espumosa) desabou sobre Pompéia e a vizinha cidade de Herculano, soterrando tudo. Quem tentou fugir, foi alcançado nas estradas pelo bombardeio de pedras incandescentes. Quem correu para dentro de casa, morreu sufocado pelas cinzas. No dia seguinte, aconteceu uma nova erupção, ainda mais violenta. Ao final, Pompéia e Herculano haviam desaparecido, cobertas por seis metros de lava e cinzas.

A tragédia foi rapidamente esquecida e Pompéia ficou 1 700 anos debaixo da terra. Somente em 1748, quando o arquiteto italiano Domenico Fontana quis construir um aqueduto em Nápoles, é que foram descobertas as ruínas. Hoje a cidade desenterrada é uma das principais atrações turísticas da Itália. O Vesúvio dorme, mas os vulcanólogos estão preocupados com ele. A partir de análises das erupções anteriores, eles acreditam que o vulcão, quando despertar, poderá destruir uma área onde vive 1,5 milhão de habitantes

Erupções históricas
Os vulcões já mataram mais de 250 000 pessoas desde o início do século passado. As erupções mais importantes foram as seguintes:



1815: Tambora (Indonésia).

Foi a maior erupção registrada pela História. O barulho se fez ouvir a 1 600 quilômetros de distância e os detritos lançados na atmosfera reduziram a temperatura no mundo inteiro. Dez mil pessoas morreram na hora e outras 82 000 nas semanas seguintes, de fome.



1883: Krakatoa (Indonésia).

Uma ilha inteira desapareceu com a explosão, seguida por nove ondas gigantescas (tsunamis), que devastaram 300 cidades e aldeias, causando 36 000 mortes. Em 1941, um novo vulcão se formou na antiga cratera: o Anak-Krakatoa, que em javanês quer dizer “o filho do Krakatoa”.



1902: Pelée (Martinica).

O vulcão destruiu Saint-Pierre, a capital, matando todos os seus 29 000 habitantes com exceção de dois, que sobreviveram (veja texto na página 45).



1912: Katmai (Alasca).

A maior erupção do século XX quase não causou vítimas, por ter ocorrido numa região deserta. O vulcão, que tinha 2 300 metros de altura, ficou reduzido a uma caldeira no nível do chão, com 5 quilômetros de diâmetro.



1914: Sakurajima (Japão).

A quantidade de lava foi tão grande que ligou a ilha onde está situado o vulcão à parte principal do território japonês, formando uma península. Uma série de terremotos alertou para a iminente explosão. Assim, os 20 000 habitantes puderam ser retirados a tempo.



1931: Meruti (Indonésia).

Uma avalanche de lama sepultou 104 aldeias, matando 5 110 pessoas.



1951: Lamington (Nova Guiné).

A nuvem de poeira gerada pela explosão atingiu 12 quilômetros de altura, enquanto uma maré de lava devastava uma área de 230 quilômetros quadrados. Mortos: 3 000.



1977: Nyiragongo (Zaire, atual Congo).

A lava fluida ficou borbulhando na cratera durante décadas, até que, de repente, se abriu uma fissura no vulcão. A avalanche de lava provocou 1 200 mortes.



1980: Saint Helens (EUA).

A explosão já era prevista pelos sismólogos, mas ninguém imaginava que fosse tão violenta. Todo o cume da montanha desapareceu. Foram devastados 500 quilômetros quadrados de florestas, matando 500 veados, 1 500 alces e 200 ursos, além de 60 pessoas.



1982: El Chichón (México).

Três explosões sucessivas lançaram 500 milhões de toneladas de cinzas na atmosfera e provocaram 3 500 mortes.



1985: Nevado del Ruiz (Colômbia).

O calor da erupção derreteu as neves no cume do vulcão, provocando uma avalanche que matou 23 000 pessoas (veja texto na página 42).



1986: Lago Nios (Camarões).

A erupção se limitou à descarga de um gás altamente venenoso, que causou 1 500 mortes.

A cebola global
Conheça as camadas que compõem a Terra
A Terra é formada por camadas, como uma cebola. O núcleo, sólido, fica a 6 000 quilômetros da superfície. Lá, a temperatura é de 6 600 graus Celsius. Acima dele vem o manto, que se divide numa parte superior e outra inferior e ocupa 85% do volume total. A espessura da crosta, onde vivemos, varia de 5 quilômetros, no fundo dos oceanos, a 64 quilômetros, ao pé das cordilheiras.



Como se forma a lava

A lava que sai pela cratera de um vulcão se origina de um reservatório de magma, ou rocha derretida, nas profundezas da Terra. Em certas circunstâncias, enormes bolhas de magma se desprendem do manto e sobem para a crosta, derretendo mais rochas pelo caminho. Na maioria das vezes, esse magma esfria e estaciona antes de chegar à superfície, formando blocos de pedra. Quando o magma é especialmente quente, ou forte o bastante para abrir caminho até a superfície, nasce um vulcão. O magma, então, passa a ser chamado de lava.